quarta-feira, 11 de maio de 2011

Percepção

Silêncio. Sim, tornei-me seu mais profundo admirador.

Quem fala demais é porque não tem nada a dizer.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Triste História de Epaminondas

Epaminondas era um cara legal, era um cara normal. Adorava fazer coisas que todo mundo da sua idade fazia. Epaminondas adorava ser o rei do seu universo. No seu mundo, ele era o cara mais inteligente, o descolado, a alegria da galera, o indispensável, o que arrancava muito suspiros. Tinha uma família perfeita, uma casa legal, tudo que queria. Não era necessário explicar nada da sua vida pra ninguém. Todos que conheciam o Epaminondas sabiam de cara o que ele era, as suas convicções, o seu comportamento, o seu senso de justiça. Epaminondas se sentia Completo
Então tudo começou a ruir na cabeça do pobre Epaminondas. Talvez para os outros de fora, fosse apenas uma fase ruim, não era motivo pra drama. Mas não para Epaminondas, para ele, era o fim de uma perfeita, preciosa e incrível era. Epaminondas se sentia traído por tudo o que ele achava que eram os fundamentos imutáveis do mundo. Epaminondas se sentia triste.
Talvez a sorte tivesse sorrido novamente para Epaminondas, ele havia conseguido ir pra um lugar legal, com gente legal, e com uma vida aparentemente legal. Ele não queria perder tempo, e tentou, de uma vez só, jogar toda informação, todo seu ser. Ele queria desesperadamente ter novamente seu reinado. Logo, ele percebeu que não havia conseguido chegar nem perto do efeito desejado. Na verdade, ninguém reconhecera nada do que ele achava que era estampado na sua cara. Epaminondas se sentia confuso.
Demorou um pouco, mas Epaminondas percebeu o quanto ele havia errado. Ele demorou a perceber que na verdade tudo aquilo que ele pensava dele mesmo não era mais do que um castelinho de cartas, que ficava muito bem apoiado antigamente, e agora com a falta de cuidado dele estava a ruir. Epaminondas se sentia em conflito.
Epaminondas precisava de alguma forma escrever o que sentia. Então, durante uma travessia numa ponte, numa noite chuvosa, ele teve uma idéia: Escrever uma história com o pseudônimo de Astrogildo, que estava escrevendo sobre o pseudônimo de Horácio, que estava escrevendo com o pseudônimo...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Fins e Afins

Eu não sei o por quê, mas o fim sempre é muito doloroso, mesmo as vezes sendo tão bem anunciado. Creio que é por isso que todos temam tanto a morte, não por que tenham medo de não mais existirem, mas de serem esquecidos, de seus velhos costumes serem abandonados, de não serem mais necessários para todos, de suas rotinas serem quebradas, de suas regras não serem mais seguidas.
Sim, ninguém realmente deseja sair da sua zona de conforto. No fundo, todos querem viver novas histórias com as mesmas pessoas, com as mesmas piadas, com os mesmos sorrisos. Sentir novas sensações com os mesmos estímulos. E seria isso tão criminal assim?
Mas quando tudo isso passa e novas coisas ocupam antigos lugares, tudo fica confortável de novo. Mas ainda sim, resta aquela nostalgia, olhares que retornam ao ponto de partida, a louca vontade de querer regressar aos momentos que hoje parecem muito mais felizes do que eram na época, e os velhos sorrisos começam a brilhar mais ainda. Então, o maior choque acontece, o de saber que a vida se seguiu, de que as pessoas passaram a perceber o quanto dispensável você é, e de como tudo encontra um jeito de fluir. E agora você foi tão modificado pelo meio que viveu que não se encaixa mais com aquela antiga vida, e aquela antiga vida tambem foi modificada e não se encaixa mais com você. Curta enquanto você pode.

terça-feira, 1 de março de 2011

Saudações...

...a você que sente saudade de alguem, a você que se esqueceu de muitas histórias que antes eram obrigatórias no seu repertório. Saudações a você que se sente um pouco mais sábio, mais esperto, mais estiloso hoje e um pouco menos feliz do que era antigamente. Saudações a você que já passa muito mais tempo fantasiando do que vivendo o mundo real, a você que tem saudade de quando tudo era muito mais simples e menos angustiante.
Saudações a você que vive numa constante troca de emoções, de pensamentos, de fundamentos. Saudações a quem já sabe que não é tão importante ser importante na vida de alguem e saudações tambem a quem ainda vive nessa ignorância.
Saudações a você que percebeu o quanto esse mundo é uma gigante confusão, a você que já começa a desistir de mudar o mundo com pequenas ações. Saudações a quem chora sem chorar, a quem sorri sem alegria, a quem tampa o sol com peneira.
Saudações a quem se irrita quando ouve sobre pequenas tragédias e saudações a quem as sofre. Saudações a você que parou de só viver a vida e começou a questioná-la, a você que quer desesperadamente uma vida perfeita, mesmo com todas as suas imperfeições.
Saudações, estamos no mesmo barco.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

15 anos

Com quinze anos o mundo desabrocha, a vida passa a ser um pouco diferente, as cores já são outras, são mais cinzas, são mais desbotadas, mas não deixam de ser encantadoras...
Num mundo de poucos conflitos de verdade, mas de inúmeros conflitos internos, tudo fica um pouco mais complicado, um pouco mais confuso, e nada mais se resolve com um sorriso, um abraço e um pedido de desculpas. E você se pergunta se seus erros foram tão graves assim.
Não, eles não foram, na verdade, foram bem simples, bem passíveis de perdão. Seja bem vinda debutante, ao mundo de cão! Todos os seus problemas agora são burocracia, e devem ser enviados com a segunda via autenticada que será arquivada em algum lugar, atrás de muitos outros problemas que se enfrentam dia a dia e que não são meros problemas emocionais e não dependem só de você. Desculpe debutante, sinceramente lhe peço perdão, o meu mundo é um mundo de babacas. Talvez não seja assim com todo mundo, talvez só eu faça esse showzinho todo, mas já dizia o bom e velho ditado "Gato escaldado tem medo de agua fria". Talvez meus arquivos tenham mais papeladas que os convencionais, mas é um preço a se pagar.
Só não se esqueça de uma coisa debutante, você não é o que demonstra. Afinal, seu arquivo ainda só possui uma gavetinha, bem pequenininha. Aproveite todos os seus erros e não endureça com eles, são passageiros, só aprenda, ah sim, aprenda muito com eles, porque vai precisar. Ah debutante, viva seus 15 anos...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sentimentos?

É engraçado como sentimentos são falsos. Já dizia a boa e velha bíblia: "Enganoso é o coração do homem, quem o conhecerá?"
Acho que não é muito difícil constatar que nada abstrato existe sem que haja uma base concreta para isso. É simplesmente atordoante ver pessoas que se envolvem num universo deturpado de sentimentos irracionais e exigem da realidade transformação de acordo com sua vontade torpe e egoísta.
Claro, os sentimentos dão nuances de cor a um mundo cinza, torna tudo personalizado, mais tolerável. Mas o grande problema de tudo isso é esquecer que por baixo de sua própria vontade existe um universo que cresce e funciona independente de sua vontade.
Afinal, o que desejo dizer? Sim, sentimentos são válidos, mas são hipócritas, egoístas e irracionais.

"Oi, eu te amo, mas já não te amo mais".

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tudo flui

Hoje começo a me deparar com a realidade e começo a me sentir frustrado.
Não por meros motivos triviais, mas porque o mundo me ensinou que sou muito menor do que ele. Na verdade, sinto agora que o mundo sentiu o agente estranho que me tornei em seu sistema e começa a me combater. Afinal, ir no contra-fluxo é perigoso demais para sua segurança.
Do meu lado, me frustro ao perceber o quanto a realidade é multi-facetada. Nenhuma verdade é tão absoluta, nenhum comportamento é tão aceitável, nenhuma rua é tão idêntica. Me frustro ao perceber que nunca irei captar tudo o que se passa ao meu redor, nunca conhecerei todos os pontos-de-vista, nunca saberei tudo que se tem para saber, e talvez nunca pronunciarei algo que ninguem saiba. E o pior disso tudo é que, se realmente pudesse saber tudo, ainda sim teria que saber tudo em todos os tempos, este fator limitante de nossos poderes seculares.
Já dizia Heráclito afinal. Ah, como gostaria de fazer uma represa nesse bendito rio!